25.9.05
Panem et circenses
“Pão e circo” – esta era a estratégia política com a qual os imperadores romanos mantinham os seus súbditos apaziguados com a ordem instituída. Porque eram de facto distribuídos alimentos a todos os cidadãos e os divertimentos, de que as lutas de gladiadores constituem a expressão máxima, eram uma constante. Desta forma, os governadores mantinham as desigualdades sociais e os direitos cívicos esquecidos, podendo assim exercer o seu poder da forma que mais lhes aprouvesse.
O que podemos verificar é que esta estratégia não ficou perdida no tempo. E parece-me a mim que a fórmula panem et circenses nunca foi tão utilizada como hoje. Então o nosso país, diria que todo ele é um circo pegado. Por artes mágicas, com uns pózinhos de perlimpimpim dos media, assuntos de extrema gravidade são transformados em diversão, consumida à hora de jantar pelas famílias portuguesas. Assim, temos o circo Felgueiras, que qual milagre da multiplicação, parece que há um por distrito. Temos também o da Casa Pia, em que existem (muitos) figurantes e as vítimas passam a ser carrascos e os acusados, desgraçados. Mas é giro e o pessoal até gosta. Temos mais circos deste género, estes são apenas exemplos. Em todos eles existem elementos comuns: ficamos com a impressão de que aquilo que sabemos é apenas a ponta do iceberg, porque o que realmente interessa nunca é revelado e, parece-nos, existem nestes circos outros artistas, daqueles muito importantes e intocáveis, mas acabamos sempre por conhecer apenas os palhaços.
Como se estes circos não bastassem, temos também a tropa não sei do quê, a senhora não sei quantas, e por aí fora.
Pois é, não nos deixam ficar sem diversão. Pão é que não há para todos, mas isto estamos numa altura complicada, é a crise. “Mas as coisas vão melhorar”, é o que dizem as senhoras do comboio suburbano das 7h52, “mesmo o meu marido também acha”, continuam. E se eles dizem...
E eu, de pão e circo, prefiro, por hoje, ficar por aqui.
O que podemos verificar é que esta estratégia não ficou perdida no tempo. E parece-me a mim que a fórmula panem et circenses nunca foi tão utilizada como hoje. Então o nosso país, diria que todo ele é um circo pegado. Por artes mágicas, com uns pózinhos de perlimpimpim dos media, assuntos de extrema gravidade são transformados em diversão, consumida à hora de jantar pelas famílias portuguesas. Assim, temos o circo Felgueiras, que qual milagre da multiplicação, parece que há um por distrito. Temos também o da Casa Pia, em que existem (muitos) figurantes e as vítimas passam a ser carrascos e os acusados, desgraçados. Mas é giro e o pessoal até gosta. Temos mais circos deste género, estes são apenas exemplos. Em todos eles existem elementos comuns: ficamos com a impressão de que aquilo que sabemos é apenas a ponta do iceberg, porque o que realmente interessa nunca é revelado e, parece-nos, existem nestes circos outros artistas, daqueles muito importantes e intocáveis, mas acabamos sempre por conhecer apenas os palhaços.
Como se estes circos não bastassem, temos também a tropa não sei do quê, a senhora não sei quantas, e por aí fora.
Pois é, não nos deixam ficar sem diversão. Pão é que não há para todos, mas isto estamos numa altura complicada, é a crise. “Mas as coisas vão melhorar”, é o que dizem as senhoras do comboio suburbano das 7h52, “mesmo o meu marido também acha”, continuam. E se eles dizem...
E eu, de pão e circo, prefiro, por hoje, ficar por aqui.
Comments:
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E como não me ocorre nada de melhor:
"Gens Una Sumus"
E que boa notícia... o regresso da D. Salma!!!
:)))
"Gens Una Sumus"
E que boa notícia... o regresso da D. Salma!!!
:)))
Menina...Salma..Prezo em saber que bons comentarios sao feitos neste blog. A verdade e o que tu dizes mas afinal os palha;os acabamos por ser nos que vimos tudo o que acontece e deixamos passar. Felguriras e um bom exemplo de como vai o nosso pais. Uma senhora que nem por fuga e presa, parece me bem. De resto dou por mim a ser governado por corruptos e o que vejo e quanto mais corrupto fores mais adorado es..Esta e a sociedade que nos criamos e por isso a culpa parte tambem de nos. Coesxist e Beijo grande
É verdade que os media que são consumidos pela maior parte não aprofunda a noticia e passa as coisas como se fosse tudo um divertimento. Mas isso constitui os media modernos, as coisas são feitas de modo a entreter. A vida é dura, um gajo chega do trabalho cansado e não quer pensar, quer tudo ali pronto para ele consumir. No entanto tens bons jornais como o Público que contextualizam as noticias e explicam porque aquilo acontece. Mas como é um jornal mais complexo, a maior parte prefere o correio da manhã ou o 24 horas. txau o teu blog é fixe
Muito bem, boa posta.
Vamos deixar-nos de circo, vamos só distribuir o pão.
Eu cá não gosto do Público nem do DN, prefiro a Maria a TV Guia o Tal&Qual...gosto também da TVI, do Manuel Maria Carrilho e da Bárbara Guimarães, do José Castelo Branco e da Júlia Pinheiro, do King of the Wood, do Isaltino da Fátima do Valentim e do Avelino, etc. Estes sim, são agentes sociais de peso na sua contribuição para a ignorância dos espectadores circenses, agora esses senhores que se fartam de investigar para incriminar os primeiros, eles têm é dor de cotovelo.
Ah como é bom ser um português ignorante!
Vamos deixar-nos de circo, vamos só distribuir o pão.
Eu cá não gosto do Público nem do DN, prefiro a Maria a TV Guia o Tal&Qual...gosto também da TVI, do Manuel Maria Carrilho e da Bárbara Guimarães, do José Castelo Branco e da Júlia Pinheiro, do King of the Wood, do Isaltino da Fátima do Valentim e do Avelino, etc. Estes sim, são agentes sociais de peso na sua contribuição para a ignorância dos espectadores circenses, agora esses senhores que se fartam de investigar para incriminar os primeiros, eles têm é dor de cotovelo.
Ah como é bom ser um português ignorante!
Relativamente ao pão, no outro dia num desses transportes públicos ouvi também uma conversa de uma sra. que deve trabalhar numa escola e estava a dizer que: quando sobram refeições devido à falta das crianças, estas refeições têm que ir para o lixo, não podem ser dadas a pessoas carenciadas nem a animais. A sra. estava a dizer que esta medida foi publicada no diário da república...eu só gostava de saber qual a data e o número e a série para poder ver pelos meus próprios olhos...Há situações inexplicáveis!
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