29.9.05

 

IVG e referendo e tal

Esta posta serve quase exclusivamente de resposta ao que o Pablo postou relativamente à questão do referendo sobre a despenalização da IVG e da posição dos diferentes partidos a este respeito.

A minha leitura, Pablo, é que a questão é muito mais complexa do que parece à vista desarmada. Por isso, lembro-te o seguinte: os diferentes partidos que votaram contra o referendo, votaram por motivos muito distintos. E o mesmo se passa com os que votaram a favor. Passo a explicar. PSD, CDS e PS não querem que a IVG seja legalizada. PCP quer. BE quer fazer barulho e dar nas vistas. Como? Fácil.

PSD e CDS pensam que, impedindo o referendo, a alteração não será aprovada e a lei manter-se-á. PS está com fortes esperanças de que a despenalização não seja aprovada em referendo (e eu penso o mesmo; lembra-te do país em que vivemos e lembra-te que ainda há muitos padres que dizem ao seu rebanho onde votar - isto só para dar um exemplo) e assim a lei mantém-se. O BE tem, com o referendo, possibilidade de ir para a rua e ter muitos prime-times que é o que na realidade lhes interessa. PS e BE, se estivessem realmente interessados em mudar a lei, repito, realmente interessados, pura e simplesmente aprovavam a alteração na Assembleia da República. Existem eleições legislativas para termos os nossos representantes na assembleia. É preciso partir para referendo porque? Pergunto eu. Pois se existem, actualmente, mais deputados a favor que contra... Tudo isto me faz duvidar dos reais intentos destes dois partidos, ao defenderem o referendo.
O PCP pensa que a única forma de ver a lei alterada seria na assembleia, com a (suposta) maioria de esquerda que temos actualmente no hemicíclo. Não quer ir para referendo porque será uma aposta perdida, à partida, ou pelo menos as probabilidades vão nesse sentido. E além disso, levanta uma questão fulcral a que nenhum meio de comunicação ou blogger deu importância: os direitos à assistência médica são parte dos direitos humanos. E esses direitos não são referendados! Existem e têm de ser respeitados, é tão simples quanto isto. Por isto, neste âmbito, parece-me o único partido com real interesse na alteração da lei.

E não me venham, lá os defensores da não-despenalização, com a do "direito à vida". Porque é sem dúvida um direito inequívoco. Mas a seguir a "vida" há que acrescentar "digna". E há que acabar com esta história dos abortos clandestinos, de vez!

Pronto, está dado o recado. Espero não voltar a tocar neste tema, porque, simplesmente, não há mais discussão possível. É de direitos humanos que falamos.

Comments:
Eu acho que esta é uma matéria que deve ir a referendo. As pessoas têm que concordar ou não com a proposta socialista. Acredito que existam mais pessoas a favor do que contra, de qualquer maneira os prime-times do BE não me interessam, mas sim o direito de nos pronunciarmos sobre esta questão.
 
Bem, pablo...todas as decisões tomadas no país são em prol do desenvolvimento do País, pelo que dizem respeito aos cidadãos. Deste modo, seria interessante que todas as decisões acordadas na Assembleia da República fossem a referendo, mas tal não pode acontecer, razão pela qual existe um governo. Governo este, em que os cidadãos votam para que desempenhem aquilo que vai de encontro aos interesses e necessidades dos cidadãos.
Para mim existem matérias com mais propósito de irem a referendo, do que matérias de questão moral...
Há leis desactulizadas aos tempos que correm, pois as mentalidades evoluem...
 
Esta questão nao se trata de moral mas sim, se as mulheres mandam ou nao no seu corpo. É uma questao que tem de passar pelo referendo, nao te esqueças que no programa do PS dizia-se que a questao iria a referendo. E as pessoas deram maioria absoluta ao PS. Acredito firmemente que vai ganhar o "sim".
 
Então todas as pessoas que votaram PS votariam sim no referendo? Achas mesmo?
 
nao sei, mas a maior parte queria um referendo, logo indicia que provavelmente teremos mudanças. Como podes ver nesta frase que copiei "O estudo da Eurosondagem perguntou também aos portugueses se concordam com a proposta do PS para a realização de um referendo sobre o aborto entre as autárquicas (em Outubro) e as eleições presidenciais (em Janeiro): uma maioria de 56,2 por cento concorda, 30,9 por cento está contra (12,9 por cento não responderam)." txau
 
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